Arimateia Martins
“Escrever é transformar a lembrança conhecida em uma lembrança clandestina.”
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Quando a língua portuguesa me foi apresentada pela primeira vez, ainda na infância, eu tive um misto de impressões: quanto mais a compreendia, mais forte era o sentimento de não saber como lidar com ela, nem como amá-la. Eu queria escrever, mas não dominava as regras da língua, sobretudo as mais complexas. Por diversas vezes, eu me vi frustrado ao receber dos professores os meus escritos com inúmeras observações de erros. Parecia que aquela seria a minha sina — e foi, durante muitos anos, até que finalmente aprendi a pacificar isso. Não que os erros tenham sido completamente resolvidos, mas a minha atenção em relação a eles se intensificou. Hoje tenho plena consciência das minhas falhas como autor, embora esteja também muito ciente dos meus acertos. Afinal a vida é muito mais divertida com palavras e ideias, sobretudo quando estas são trabalhadas com coragem, disciplina e organização. É delas a capacidade de desconstruir o homem só para terem o prazer de reconstruí-lo depois. Bem depois, não poupando nem mesmo a nós, autores, dessa desconstrução, o que é preciso. Que este perfil seja uma inspiração para todos aqueles que amam a literatura e a língua portuguesa e que, por amor ou força maior, não se permitem esquecer o paraíso que é a imaginação.

 

Arimateia Martins

Fortaleza, 6 de abril de 2026.

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